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Cerro Cora y sus misterios

Posted by buson en septiembre 30, 2004

Tomado da Folha de Sao Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u15527.shl

16/07/2001 – 10h17
Mulher do presidente paraguaio Solano López ganha biografia
CYNARA MENEZES
da Folha de S. Paulo

Quando o helicóptero pilotado pelo dono da TAM, o comandante Rolim Amaro, caiu, no domingo, dia 8, no Paraguai, levando-o à morte, impediu também um acontecimento importante para o grupo de pesquisadores que há mais de dois anos trabalha na biografia de Elisa Lynch, mulher do presidente paraguaio Francisco Solano López (1826-1870).

Rolim e os pesquisadores, liderados pelo ex-diplomata irlandês (como Lynch) Michael Lillis, iriam visitar, em Cerro Corá, o exato local em que Solano López foi emboscado pelas tropas brasileiras na Guerra do Paraguai (1864-1870). A poucos metros dali, segundo reza a lenda, “madame Lynch”, como era chamada, teria escavado com as próprias mãos a tumba do marido.

Estranhando o atraso, os pesquisadores voltaram para a fazenda do comandante, em Ponta Porã (MS), onde receberam a notícia da queda do helicóptero que o transportava. Mas o projeto, já em sua fase final, continua de pé, e a biografia tem lançamento previsto para 2002, nos EUA.

Não será a primeira vez que a mulher de Solano López será biografada, mas Lillis tem a ambição de resgatar a “verdade histórica” sobre sua conterrânea, cuja sensacional trajetória, semelhante à de Anita Garibaldi, é desconhecida em seu próprio país de origem.

Elisa Alicia Lynch nasceu em Cork, na Irlanda, em 1834. Depois de um breve casamento, aos 15 anos, com um cirurgião francês, a bela irlandesa conheceria Solano López em janeiro de 1854, em Paris. O herdeiro da dinastia López, já feito general e presidente, fora à Europa adquirir barcos e armas.

Lynch e Solano jamais se casariam, devido ao matrimônio anterior de Elisa, mas juntos teriam cinco filhos. Daí ter se tornado conhecida como “madame” ou “La Lynch” e muitas vezes apontada como “cortesã” pelos opositores, críticos do estilo parisiense que impôs ao país, incentivando a música e a arte e concentrando enorme poder, o que a fez acumular inimigos e admiradores.

“É por isso que quase tudo que se escreveu sobre ela é romanceado.

Exageram ou na direção positiva ou na negativa”, diz Lillis, que tem se dedicado à pesquisa com uma equipe de estudiosos do Paraguai, Inglaterra, Irlanda e França -e no qual incluía Rolim.

Desde que o trabalho de investigação se intensificou, em 1999, alguns dos mitos em torno de “La Lynch” caíram, como a história de que teria morrido na miséria e sepultada como indigente. “Isso faz parte da mitologia positiva. Visitei a casa em que ela morreu, em 1886. Era uma das melhores de Paris em sua época. E foi enterrada em um cemitério reservado às elites”, afirma Lillis.

Um dado real foi a perda de todas as terras deixadas para ela pelo marido, nos últimos anos da guerra, na fronteira com o Brasil e a Argentina. Em 1876, os títulos foram cedidos ao governo dos dois países e, embora Elisa Lynch tenha reclamado a posse até mesmo com a ajuda de Rui Barbosa (1849-1923) como advogado, nunca as conseguiu de volta.

Outro episódio recorrente é o do sepultamento do general pela mulher, como o escritor uruguaio Eduardo Galeano descreve em “Memória do Fogo”: “Rodeada pelos vencedores, Elisa cava com suas unhas uma fossa para Solano López”. A “irlandesa de cabelo dourado”, a “mais implacável conselheira de López”, no dizer de Galeano, havia acompanhado o marido na frente de batalha. Em 1º de março de 1870, o general estava rodeado pelo Exército brasileiro, à razão de seis homens contra um. Em franca minoria, o lado paraguaio estava ainda combalido pela fome e pela disenteria, e seu líder, “fora de si”.

Emboscado, Solano fugiu até o arroio Aquidabã, onde foi cercado e afinal morto. Em seguida, os soldados chegaram até Elisa e seu filho Panchito, de 16 anos, que também foi morto pelos brasileiros, na presença da mãe. “É possível que ela mesma tenha cavado o túmulo de Solano e Panchito, com alguma ajuda dos soldados do Brasil”, diz Lillis.

A descoberta que fez “parar o coração” do pesquisador, no entanto, foi uma carta trocada entre os dois amantes, logo após terem se conhecido. “Eles estavam totalmente apaixonados. Apesar de todas as acusações feitas a ela, o fato é que se amaram muito. Ela nunca se casou novamente.”

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